Recentemente um amigo me perguntou: – “O que seria trasumanismo?”. Ele havia visto o vídeo de apresentação da DigiMind7 no Youtube, visitado o site e ficou curioso sobre este tema específico.
Como este assunto será tratado sob diversas perspectivas na DigiMind7, é interessante que busquemos uma definição ou ao menos reconheçamos como o entendimento deste termo está sendo tratado.
Em junho de 2023 a revista Forbes publicou um pequeno artigo abordando o transumanismo. Nele informa que o trasumanismo é um movimento multidisciplinar que “une a tecnologia e biologia para romper as limitações atuais do ser humano expandindo sua capacidade.”
Num primeiro momento isto pode nos parecer positivo, principalmente se observamos os aspectos físicos dos corpos humanos. Contudo, um ser humano está muito além de suas características físicas. A maioria de nós concorda e sente que somos formados por corpo, alma e espírito.
A ideia de fundir o corpo e a mente humana para transcender as limitações humanas parece desconsiderar os aspectos intuitivos e transcendentes da existência humana. “Aprimorar as habilidades humanas, prolongar a expectativa de vida e moldar o próprio caminho evolutivo, superando as restrições biológicas e aumentando as capacidades físicas e intelectuais, levando a uma nova era do potencial humano”, sugere uma visão materialista da existência humana.
Prolongar a expectativa de vida com implantes de nanotecnologia conectados a uma inteligência artificial moldando o caminho evolutivo sugere um afastamento do ser humano em reconhecer e desobstruir as características intrínsecas de sua existência: a inteligência espiritual – QS.
Neste sentido, vale a pena trazer um recorte da análise das inteligências humanas apresentada pelos doutores Danah Zohar e Ian Marshall em seu livro “SQ: The Ultimate Intelligence” (“Inteligência Espiritual – QS”).
Logo na introdução, os autores trazem uma breve análise de conceitos relativamente populares: QI (Quociente de Inteligência) e QE (Quociente emocional). O “QI, inteligência intelectual ou racional, é a que usamos para solucionar problemas lógicos ou de grande importância”; já o “QE ou inteligência emocional, reveste-se de igual importância. O QE nos dá percepção de nossos sentimentos e dos sentimentos dos outros (empatia, compaixão, motivação), e nossa capacidade de reagir apropriadamente à dor e ao prazer.”
Assim, o QE se constitui em requisito básico para o QI. Em outras palavras, “Se estão lesionadas as áreas cerebrais com as quais sentimos, nós pensamos com menos eficiência.”
Mas como ocorre uma “lesão” nas áreas cerebrais com as quais sentimos?
O quanto conhecemos de fato nossa natureza humana racional e emocional?
O quanto estamos sujeitos a sobrepor emoções com a razão e vice-versa?
É no final do século XX que um conjunto de dados científicos, ainda não assimilados, mostrou que há um terceiro “Q”. Este terceiro Q foi então nomeado por QS: a inteligência espiritual.
Assim, a inteligência espiritual é aquela “com que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor; a inteligência com a qual podemos inserir nossos atos e nossa vida em um contexto mais amplo, mais rico, mais gerador de significado; a inteligência com a qual podemos avaliar que um curso de ação ou caminho na vida faz mais sentido que outro.”
Será que já esgotamos todas as nossas possibilidades humanas para enveredarmos por mudanças tão profundas como inserir “componentes eletrônicos” em nosso corpo físico, submetendo-o e moldando sua ação e reação conectados a um robô ou “inteligência artificial”? Nos conhecemos de fato?
Antes de voltar ao transumanismo, atentemos para um importante detalhe apresentado pela dra. Zohar e dr. Marshall: o QE e o QS.
“Da forma como Daniel Goleman a define, minha inteligência emocional me permite julgar em que situação me encontro e, em seguida, comportar-me apropriadamente dentro dela.” Dessa forma trabalhamos dentro de limites, o que é necessário para um bom convívio em sociedade e em lidar com as idiossincrasias.
Mas como avaliar tais limites? Devo ou não ir além?
Nem o QI ou o QE são capazes de explicar todos os matizes da complexidade humana e “nem a riqueza imensa da alma do homem e sua imaginação. Computadores têm QI alto: conhecem regras e podem segui-las sem cometer erros.”
No que nos transformamos quando permitimos que nosso cérebro e natureza seja conectada a uma máquina que facilmente poderia superar o QI médio de uma pessoa?
Que tipo de humanos seríamos?
É através do pleno desenvolvimento da inteligência espiritual que os seres humanos ampliam sua criatividade, mudam regras e alteram situações. Esta inteligência humana permite questionar-se profundamente se desejo/quero estar em uma situação particular.
Eu quero ser um transumano?
Eu sei o que é ser humano e reconheço todas as suas possibilidades?
“O QS nos torna criaturas plenamente intelectuais (QI), emocionais (QE) e espirituais que somos.” Quando somos capazes de integrar todos esses aspectos e superar nossas mais profundas mazelas e dores?
Este movimento trasumanista, que defende a utilização de tecnologias avançadas para “aprimorar” as capacidades humanas, considera os aspectos citados acima ou só pretende “explorar diversas possibilidades como engenharia genética, inteligência artificial, nanotecnologia e muito mais”?
Quais as consequências sociais que um movimento/experimento desta magnitude pode endereçar ao futuro da humanidade? Estaria relacionado a eugenia, tecnologia mRNA ou sangue sintético?
Se, o transumanismo não se limita a “aumentos” físicos, e pretende desbloquear todo o potencial da mente humana através da integração de inteligência artificial, interfaces neurais e aprimoramentos cognitivos”, não estaria desconsiderando aspectos da natureza humana que transcendem seu próprio entendimento sobre o que é o ser humano?
Em novembro de 2024, a Brasil Paralelo também publicou um artigo sobre tema do transumanismo. Além do artigo, produziu conteúdo audiovisual na forma de documentário disponível no youtube e em sua plataforma.
Olavo de Carvalho dizia que “o objetivo do movimento transumanista é dissolver a imagem do ser humano e transformá-lo em um produto industrial, de modo que a forma dos seres humanos do futuro será determinada por uma equipe de cientistas a serviço do governo.
Isso não é algo novo. O que eles querem não é aperfeiçoar o ser humano, é substituí-lo. Esse grupo quer dizer para a sociedade que ‘as coisas não são como vocês veem, são como nós as vemos’. (…) O que eles querem é dotar o ser humano de capacidades que ele não possui naturalmente, copiadas de animais.”
O artigo da BP começa informando que “Julian Huxley é tido como o fundador do transumanismo devido a ser o primeiro biólogo a adotar o nome para se referir à união de homens e tecnologia em prol do desenvolvimento pessoal”, em seu artigo denominado Transumanismo (1957).
A história também traz outro personagem. Em 1923 o geneticista britânico J.B.S. Haldane trouxe as ideias fundamentais do transumanismo em seu ensaio “Daedalus: Science and Future”. Este ensaio motivou o cristalógrafo J.D. Bernal (Universidade de Cambridge), a escrever em 1929 “The World, The Flesh and the Devil” onde apresentou perspectivas da colonização espacial “e mudanças radicais nos corpos e inteligência humanos através de implantes biônicos e melhoria cognitiva. Essas ideias têm sido temas transumanistas comuns desde então.”
“Um dos maiores defensores da teoria é Klaus Schwab (Fórum Econômico Mundial). Em suas teses sobre as transformações causadas pelo transumanismo, Schwab busca influenciar governos a:
– criarem grandes sistemas de dados que controlem cidades, organizando diferentes realidades, desde o trânsito a possibilidade de usar chips mentais para realizar eleições de forma imediata;
– unir humanos e máquinas em busca de um aprimoramento biológico;
– desenvolverem um governo global para lidar com as novas tecnologias.
A teoria de Schwab sobre transumanismo, exposta todos os anos diante dos principais líderes mundiais, é chamada de Quarta Revolução Industrial.”
Até que ponto a automação industrial pode ser considerada como prática do movimento transumanista? O quanto a utilização da inteligência artificial ou de uma simples calculadora pode limitar ou aprisionar o ser humano no desenvolvimento do seu QI, QE e QS?
O tema é vasto e requer estudo e análise cuidadosa. Visões apaixonadas e imediatistas nos afastam de uma observação ampla de todas as consequências que o transumanismo pode trazer.
Encerremos este artigo DigiMind7 trazendo outro trecho do artigo da Brasil Paralelo.
“Um dos irmãos de Julian Huxley (tido como o fundador do transumanismo), se destacou pelo seu talento na literatura, seu nome era Aldous Huxley.
Uma das obras de maior destaque de Aldous foi ‘Admirável Mundo Novo’, livro que figura entre as principais distopias do século XX, ao lado de escritos como ‘1984’ e ‘Fahrenheit 451’.
Em ‘Admirável Mundo Novo’ (1932), Aldous Huxley cria uma distopia cientificista: toda a sociedade global passa a ser governada por ditadores cientificistas de uma elite exclusiva. A única regra é seguir impulsos carnais e obedecer técnicas científicas que os fortalecem.
O curioso da obra é que Aldous era de uma das famílias da elite cientificista da sua época. Seu avô foi amigo e apoiador de Charles Darwin e seu irmão o fundador e primeiro diretor da UNESCO, órgão da ONU.
Seria a obra de Aldous derivada do que observava de perto? Uma crítica do transumanismo que estava surgindo?”
Você quer ser um transumano ou prefere primeiro esgotar todas as possibilidades de suas habilidades humanas e conhecer a si mesmo profundamente?
Algumas indicações de leitura para se aprofundar:
https://digimind7.com/sangue-artificial-universal-e-o-amanhecer-transumanista/
https://sabertecnologias.com.br/artigo/transhumanista
https://pt.wikipedia.org/wiki/Transumanismo
https://lausanne.org/pt-br/report/o-que-significa-ser-humano-em-breve/transhumanism
https://anarcotranshumanismo.com.br/transhumanismo
https://melhorcomsaude.com.br/o-que-e-o-transumanismo-e-como-ele-pode-afetar-o-futuro
https://www.scielo.br/j/physis/a/DYHLLVwkzpk6ttN3mkr7Gdw
https://www.brasilparalelo.com.br/noticias/transhumanismo-ou-transumanismo
https://forbes.com.br/forbes-tech/2023/06/o-que-e-transumanismo