Imagine por um momento que você queira criar uma cidade.
Naturalmente serão necessários alguns grupos: trabalhadores (rurais/urbanos), empresários (rurais/urbanos), seguranças (defesa interna/externa), educadores e profissionais de ofícios diversos e finalmente os governantes.
Também será necessário criar um sistema de governo, sua organização politica e as formas de acesso a cada uma das especialidades que compõe esta sociedade (formação). Se a índole estiver pautada por premissas elevadas (virtudes), este intento deve ser guiado pela verdade, transparência das ações e intenções e o profundo desejo de fazer o bem.
SOCIEDADE.
Do latim societas. Uma tradução possível seria “associação amistosa com outros”.
“Na sociologia contemporânea, a sociedade é entendida como um grupo de indivíduos que compartilham uma cultura, valores, instituições, e que mantêm relações sociais organizadas. Uma definição comum aponta que ‘sociedade é um sistema de relações humanas interdependentes que formam uma unidade coletiva’. Essa visão reconhece que a sociedade não é apenas um agrupamento físico ou demográfico, mas um sistema dinâmico, cultural e simbólico.” ¹
Agora, expandamos nossa capacidade criativa.
Imagine que um pequeno grupo deseje criar um governo global que comande todas essas sociedades; como descrito de forma simplificada nos dois primeiros parágrafos.
Suponha que este grupo possua vasto conhecimento sobre muitos aspectos do ser humano, suas aspirações, inseguranças (medos), as ciências, modos de produção e tecnologia.
Considere também que este “clube de pessoas” detenha mais de 90% de todos os recursos econômicos do planeta e 95% dos veículos de comunicação (mídia).
Imagine que criaram um ministério global de saúde, algo como a OMS – Organização Mundial de Saúde; um outro ministério global como um tipo de parlamento para todas essas pequenas sociedades (países), algo como a ONU – Organização das Nações Unidas; um ministério militar para cuidar da segurança global, algo como a OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte e todos os departamentos que advém de tais ministérios: agências espaciais e inteligência, clube de empresários, comunicação e educação.
Pense por um momento que, diferentemente do grupo que criou a cidade/sociedade nos primeiros dois parágrafos, este “clube de pessoas” entenda que a maioria dos indivíduos é substituível ou dispensável; que tenham também um profundo desejo de controlar as sociedades e sofram de soberba.
Por fim, imagine que este “clube de pessoas” não esteja interessado em promover o bem para todas as sociedades e somente para os seus “sócios”.
Seria coerente admitir que este “clube de pessoas” agissem com transparência ou seria mais adequado supor que tratariam de omitir, tergiversar e mentir sobre suas reais intenções?
Em outras palavras.
Não será melhor ao lobo vestir-se de cordeiro quando for caçar?
O a mentira usar as roupas da verdade quando for falar?
O QUE É O FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL (FEM)?
O FEM foi criado há 54 anos em 1971 como Fórum Europeu de Gerenciamento pelo economista e engenheiro alemão Klaus Schwab.
Tudo começou com uma reunião de 444 empresários europeus num encontro na cidade de Davos. Um local atípico para reuniões desta natureza e afastado dos ambientes do mundo dos negócios.
O encontro foi um sucesso e passou a ser realizado anualmente com o nome de “Simpósio Europeu de Administração”. Em 1987, 16 anos após sua criação, o evento passou a ser conhecido como “Fórum Econômico Mundial – FEM”.
Em 2020, Klaus Schwab reorganizou sua declaração escrita em 1973 (Declaração de Davos ²), trazendo algumas mudanças e a preocupação com questões ambientais.
Os organizadores do FEM dizem que o principal objetivo é “melhorar a situação do mundo” e preconizam a irreversibilidade da globalização.
PRECONIZAR
Verbo transitivo que significa: fazer a apologia ou a propaganda; previsão, anunciar antecipadamente.
Uma definição possível e popular seria que o Fórum Econômico Mundial é uma organização internacional sem fins lucrativos que visa promover a cooperação entre os setores público e privado.
Poucos anos depois da sua criação, autoridades políticas mundiais começaram a ser convidadas para participar do evento, o que expandiu seu escopo incluindo questões socioeconômicas. Tornou-se comum também a participação de ativistas de causas humanitárias.
O Presidente Brasileiro Jair Messias Bolsonaro chegou a discursar no plenário do evento em 2019 prometendo “abrir espaço para novos empreendimentos internacionais, diminuir a carga tributária e regulamentar as estatais”.
A influência na governança global do FEM é clara. E sobram polêmicas quanto aos valores éticos e morais que preconizam. Entre eles está a “Quarta Revolução Industrial que explora tecnologias emergentes, como a união de humanos com aparelhos eletrônicos e inteligência artificial, bem como suas aplicações” (Brasil Paralelo³).
Disse Schwab em 2024: “Vislumbrando um futuro impulsionado pelas tecnologias da quarta revolução industrial, vemos um novo amanhecer da civilização humana – um que harmonize a tecnologia com as necessidades e aspirações mais profundas da humanidade.” Uma “fusão de nossas dimensões físicas, digitais e biológicas em um novo mundo. Esta missão desenvolve-se numa sociedade onde a inteligência artificial, a robótica, a Internet das Coisas, a impressão 3D, a engenharia genética e a computação quântica se tornam os alicerces da nossa vida cotidiana, mas são guiados por um profundo respeito pelos valores humanos, pela criatividade e pelo mundo natural”.
Mas que sociedade será esta depois de se “fundir a tecnologia”? Transumanos?
De acordo com Schwab não será necessário realizarmos eleições para escolher os governantes das cidades e dos países. Disse: “A tecnologia agora tem principalmente um poder analítico. Agora, entramos no poder preditivo e vimos os primeiros exemplos. Sua empresa está muito envolvida nisso. Mas então o próximo passo poderia ser entrar no modo prescritivo, o que significa que você nem precisa mais realizar eleições porque já pode prever [o resultado].
E depois, você pode dizer, por que precisamos de eleições? Porque sabemos qual será o resultado. Você consegue imaginar tal cenário?”.
Por que precisamos de eleições? Como assim?
Caros leitores, este pequeno artigo não pretende aprofundar estas questões e sim lançar os conceitos básicos e o contexto para que cada um possa realizar sua pesquisa e ampliar seu entendimento sobre o tema.
Afinal, que cidades queremos construir? Como imaginamos que seria organizada?
Para finalizar gostaria de indicar a leitura do livro “A República” de Platão. Pode ser proveitoso acompanhar o pensamento de Sócrates na criação de uma cidade.
Navegando pelo menu explorar em nosso site você encontrará outros artigos que visam ampliar sua perspectiva sobre cibersegurança, transumanismo, psicologia entre outros temas.
Obrigado por ler.
1: https://lucidarium.com.br/conceito-de-sociedade-origem-definicao-e-significado/
2: https://www.weforum.org/stories/2019/12/davos-manifesto-1973-a-code-of-ethics-for-business-leaders/