Quando penso sobre as relações que estabelecemos diariamente em nossa vida, invariavelmente sou contaminado pela visão ideal e porque não dizer, romântica e inocente de uma forma idealizada do convívio que poderia ou deveria oferecer verdadeiras benesses aos envolvidos.
No entanto, no segundo seguinte, sou chamado à própria natureza humana que trago em mim em todos os seus múltiplos aspectos. E neste novo espaço do pensamento desaguam enormes fluxos de desejos e sentimentos.
Assim, no terceiro segundo, a infância dos porquês invade minha razão a estabelecer questionamentos que, se carregam a profundidade da inocência, ensejam às complexidades do ser humano sujeito aos próprios desejos, principalmente quando afastado da temperança.
Quem de nós não aspira uma vida que seja capaz de oferecer uma certa tranquilidade para lidarmos com os nossos aspectos obscuros, próprios da natureza da personalidade humana?
Hoje, diferentemente de antes, quando habitava a inocência sem ser criança, observo que uma parte significativa da humanidade não está de fato empenhada nisto. E com isto não digo da vida tranquila e pacífica, mas sim do desejo de conhecer a si mesmo desvelando as características sombrias que traumas, medos, egoísmos e a ganância “auspiciam” sem serem totalmente notadas.
A isto, em meus “devaneios”, chamo imaturidade. E quatro segundos depois de pensar como pautamos nossas relações humanas, sou invadido pela minha consciência que me pergunta:
Quando você é imaturo?
Ela não supõe que eu não seja, não. Ela sabe que sou e só deseja que eu permita que a luz ilumine este canto escuro do meu ser. Este quarto repleto de não saberes onde repouso minha ignorância sobre quem sou.
O que ignoro sobre mim e como isto afeta e determina minha relação com o outro?
Eis que chego ao quinto segundo e neste istmo do quantum das sinapses do pensar, vem o sexto. O que temo? O que não sou capaz de ver sobre mim mesmo?
Bate à porta o sétimo segundo e com ele um “longo tempo” de silêncio repleto de perguntas, imagens e sons. O quanto estou sujeito e subjugado pelas minhas necessidades existenciais e quanto estas necessidades estão contaminadas pela camada externa de minhas percepções: o ego?
Foram 10 segundos de pensamentos. Nos últimos três uma batalha se estabeleceu. Venceu, ad majorem Dei Gloriam, a paciência que trouxe o silêncio; a coragem que no silêncio faz observar a si mesmo; a temperança que constata o outro como legítimo outro em toda sua integralidade; a prudência que não cobra e observando o outro aprende sobre si mesmo; a justiça que dá ao outro aquilo mesmo que a natureza me dotou em talentos, limites e superação.
Só é possível ser gentil.